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Em 30 de maio de 1414 Jerônimo de Praga era queimado na fogueira


Jerônimo de Praga foi um reformador religioso tcheco. Seguidor de John Huss e de John Wycliff, apoiou-os em seu movimento de reformas. Jerônimo, embora consciente do risco que corria, apresentou-se ao Concílio de Constança no ano de 1414 para defender seus princípios cristãos. Logo após haver confirmado suas idéias "heréticas", foi encarcerado numa masmorra e alimentado a pão e água. Doente, debilitado e abandonado por amigos, cedeu à pressão dos inquisidores e declarou que retomaria a fé católica. Ainda assim, retornou à prisão e lá permaneceu por trezentos e quarenta dias, até ser queimado vivo na fogueira em 30 de maio de 1416. 

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Jerônimo nasceu em Praga, em 1379, filho de família de posses. Depois de se formar na Universidade de Praga, em 1398, iniciou viagens pela Europa. Em 1402, visitou a Inglaterra onde estudou na Universidade de Oxford as obras Dialogus e Trialogus de John Wycliff. Ingressou na Universidade de Paris em 1405, obtendo grau de mestre. O mesmo ocorreu na Universidade de Colônia e, um pouco depois, em Heidelberg. 

Em 1407, de volta a Praga, suas posições nacionalistas começavam a provocar perseguições por parte da Igreja. Em janeiro de 1410, fez pronunciamentos em favor da filosofia de Wycliff. Em março de 1410, foi editada uma bula papal pelo anti-papa João XXIII contra os escritos de Wycliff o que causou a prisão de Jerônimo em Viena e sua excomunhão da Igreja pelo Bispo de Cracóvia. 

Conseguindo escapar, voltou a Praga, passando a defender publicamente as teses de reforma da Igreja pregadas por Jan Huss, que reforçavam muitas das teses de Wycliff. Em 1413, Jerônimo visitou as cortes da Polônia e da Lituânia, causando profunda impressão por seu diferenciado saber e eloquência. 

Quando Jan Huss viaja para o Concílio de Constança, em outubro de 1414, Jerônimo lhe assegura que o seguiria para ajudá-lo. Promessa que logo lhe faria chegar a Constança, em 4 de abril de 1415. Ao contrário de Huss, que obtivera um salvo-conduto para se proteger, Jerônimo nada possuía. Em 20 de abril foi preso em Praga e levado a Constança em 23 de maio para ser processado pelo Concílio. 

Condenação 

Sua condenação, como a de Huss, já estava pré-determinada, tanto em consequência de seu apoio a muitas das idéias de Wycliff quanto por sua admiração por Huss. Não lhe foi dada oportunidade de se defender em julgamento justo. As condições de sua prisão eram tão severas que ficou seriamente doente. Foi induzido a retratar-se em duas reuniões públicas do Concílio (11 e 23 de setembro de 1415). 

As palavras colocadas em sua boca o fizeram renunciar aos ensinos de Wycliff e Huss. Com a saúde abalada e pressionado, escreveu ao rei da Boêmia e à Universidade de Praga em que declarou estar convencido de que era justa a condenação de Huss à morte na fogueira por heresia, o que havia ocorrido em 6 de julho daquele ano. Nada disso o indultou ou comutou sua pena. 

Em maio de 1416 Jerônimo de Praga foi novamente levado a julgamento. Diante do Concílio retratou-se veementemente de sua retratação. Condenado finalmente por heresia em 30 de maio, foi levado à fogueira no mesmo dia.


OPERAMUNDI




JERÔNIMO DE PRAGA - DO LIVRO DEPOIS DA MORTE,- LEON DENIS - FEB


 “Meu Deus, vós que sois grande, que sois tudo, deixai cair sobre mim, humilde, sobre mim, eu que não existo senão por vossa vontade, um raio de divina luz. Fazei que, penetrado do vosso amor, me seja fácil fazer o bem e que eu tenha aversão ao mal; que animado pelo desejo de vos agradar, meu espírito vença os obstáculos que se opõem à vitória da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo; fazei que, em cada companheiro de provações eu veja um irmão, assim como vedes um filho em cada um dos seres que de vós emanam e para vós devem voltar. Dai-me o amor ao trabalho, que é dever de todos sobre a terra, e, com o auxílio do archote que colocaste ao meu alcance, esclarecei-me sobre as imperfeições que retardam meu adiantamento nesta vida e na vindoura”.*
(*) Prece inédita, ditada pelo Espírito Jerônimo de Praga, a um grupo de operários. Do livro Depois da Morte de Leon Denis. FEB.

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