Pular para o conteúdo principal

Antropólogo discute autonomia dos símbolos e seu papel na criação da cultura

Símbolos estão presentes na humanidade desde os tempos imemoriais. Mas por que devemos estar atentos a eles? Na importante pesquisa Símbolos que representam a si mesmos, lançamento da Editora Unesp, o antropólogo Roy Wagner traz à tona uma discussão sobre “a autonomia dos símbolos e seu papel na criação da cultura”. O ponto nevrálgico da obra, trazido previamente em seu livro anterior A invenção da cultura, carrega, simultaneamente, simbologia, filosofia e evolução, revelando o significado como forma de percepção a que os seres humanos são adaptados física e mentalmente. 
“Este livro é sobre o sentido como poder organizador e constitutivo na vida cultural”, escreve Wagner. “Seu argumento é de que o fenômeno humano é uma ideia única e coerente, organizada mental, física e culturalmente em torno da forma de percepção que chamamos de ‘sentido’".
Ao longo dos sete capítulos, o autor discutirá os símbolos como sendo o resultado mais imediato e discreto na relação entre pesquisador e seu campo, fortemente ligado com a linguagem, que, como sabemos, é essencialmente simbólica. “Seriam os símbolos a unidade monetária acadêmica, uma moeda cunhada por indústrias de conhecimento pós-coloniais para que, fazendo uso do imenso capital acumulado de literaturas, filosofias e ‘fatos’ estabelecidos, pudéssemos comprar a produção semântica dos chamados “objetos” de pesquisa?”, questiona. 
Roy Wagner mergulha fundo quando se trata de seu embasamento para discutir os símbolos: o autor se apoia sobre seus muitos anos de pesquisa entre os povos Daribi da Papua-Nova Guiné e nos estudos iconográficos sobre os Walbiri da Austrália, além de discutir os conceitos de tempo e a tecnologia ocidental. Tudo isso forma um quadro de tópicos históricos relevantes para as “simbolizações ‘nucleares’ da religião medieval e da filosofia secular moderna e, por fim, algumas questões evolucionárias envolvendo o corpo e o cérebro humanos”. Wagner não deixa de tratar também da questão da criação do significado, examinando as qualidades não referenciais dos símbolos – como suas propriedades estéticas e formais – que permitem que eles representem a si mesmos, o que remete ao título de seu trabalho.
Sobre o autor – Roy Wagner é professor de Antropologia na Universidade de Virginia. Seu livro A invenção da cultura é um clássico da Antropologia contemporânea.
Título: Símbolos que representam a si mesmos
Autor: Roy Wagner
Tradução: Priscila Santos da Costa
Número de páginas: 197
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 38,00
ISBN: 978-85-393-0709-8
Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Divaldo Franco abre a sessão mediúnica para uma emissora de TV pela primeira vez

ANVISA aprova medicamento inédito para tratamento da doença de Alzheimer

A Anvisa aprovou o uso do lecanemabe para o tratamento da doença de Alzheimer. O produto, inédito no país, é um anticorpo monoclonal pertencente à classe dos produtos biológicos. De acordo com o registro, o novo medicamento é indicado para pacientes adultos com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve e demência leve decorrentes da doença de Alzheimer (fase inicial), com patologia amiloide confirmada e que não sejam portadores ou sejam heterozigotos do alelo ε4 da apolipoproteína E (ApoE ε4). O medicamento deve ser administrado por infusão intravenosa, durante aproximadamente uma hora, uma vez a cada duas semanas. Com o registro, o lecanemabe está autorizado para distribuição e uso no país. O prazo para sua entrada no mercado depende do laboratório detentor do registro. O seu nome comercial é "Leqembi" e depende apenas do laboratório responsável a sua chegada ao Brasil. Segundo Elton Fernandes , advogado especialista em saúde, o preço oficial do medicamento no Br...

Neurociência no mundo do futebol

  Quando falamos de sensores de neurociência no futebol (como os utilizados pelo Liverpool com a neuro11 ou pelo Santos e Palmeiras), não estamos a falar de ficção científica, mas de biofeedback em tempo real. Eis o passo a passo de como funciona uma sessão típica de treino cerebral para um jogador de elite: O jogador coloca uma touca ou sensores individuais de EEG (Eletroencefalograma). Estes sensores são não invasivos e extremamente leves para não atrapalhar o movimento. Estes medem ondas cerebrais (Alfa, Beta, Teta e Gama). O objetivo é identificar em que estado mental o jogador se encontra antes de bater uma falta ou um penálti. Cada jogador tem uma "assinatura" de sucesso. Os cientistas analisam os dados de quando o jogador acerta um remate perfeito. Descobrem, por exemplo, que um atleta atinge um pico de ondas Alfa (relaxamento alerta) frações de segundo antes do contacto com a bola. No Treino de Biofeedback (A Sessão em si), o jogador vai para o campo ou para um si...