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Características da sociedade grega no Período Homérico

Templo de Hera. Foto: AnLe / Shutterstock.com
                                               Templo de Hera. Foto: AnLe / Shutterstock.com


Grande parte dos historiadores convencionaram entender que a Grécia Antiga passou por quatro grandes períodos:

Período Homérico - séculos XI-VIII a.C.
Período da Grécia Arcaica - séculos VIII-V a.C.
Período Clássico - séculos V-IV a.C.
Período Helenístico - séculos IV-II a.C¹.

É justamente na primeira era desta subdivisão que concentraremos as nossas atenções. O Período Homérico. Falar de Homero não é tarefa simples. Não se sabe precisamente quais são as datas de seu nascimento e de sua morte. O historiador e geógrafo Heródoto afirma que ele teria vivido 400 anos antes de seu tempo, o que daria algo em torno de 850 a.C. e a data estimada da Guerra de Tróia (1194-1184 a.C.)². O que convenhamos dá uma boa diferença entre as duas datas. Mais de trezentos anos. É essencial, compreender que Homero é, antes de tudo, um tipo de poema, uma escrita, uma forma, e não um indivíduo.

Nesta época, surgiu o alfabeto grego. É Homero que funda a língua grega com dois poemas épicos excepcionais. Que se tornariam as primeiras fontes literárias gregas e do Ocidente como um todo: A Ilíada e a Odisséia.

A Ilíada é um conjunto de quase 16 mil versos, divididos em 24 cantos, que trata dos últimos instantes da Guerra de Tróia. A Odisséia é um poema com mais de 12 mil versos tratando do retorno dorei Odisseu, ou Ulisses para sua casa em Ítaca.

Esse período coincide com a chamada Primeira Diáspora Grega , em que aconteceram as invasões de povos dórios, que motivaram um grande deslocamento de grupos de pessoas da Grécia Continental para a Ásia Menor e as ilhas do Mar Egeu¹.

Algumas características importantes desse período, o povo grego ainda não tinha uma identidade formada, a não ser pelo fato de utilizarem o mesmo idioma (o grego) e de apresentarem influências de povos dórios, jônios, eólios e aques (os povos indo-europeus). A miscigenação desses povos levou a algumas transformações interessantes que nos servem de base para uma análise do período, compreendendo-o como uma época caracterizada por uma organização em torno de uma sociedade rural e autosuficiente, denominada Genos - decorrendo daí, o termo comunidade gentílica. 

Afirma Freitas Neto³ que "no sistema gentílico havia a propriedade coletiva da terra e os membros do clã (ou genos) trabalhavam conjuntamente e obedeciam a um líder, o páter. Para se protegerem, os diversos genos formavam uma frátria. Várias frátrias compunham uma tribo e a posição social de cada pessoa dependia do grau de parentesco com o páter-famílias".

Esse sistema entrou em gradativo colapso em função de vários fatos: pobreza do solo, o que dificultava a sua principal atividade, a agricultura. Disputas pelas terras férteis pelos mais diversos grupos, surgimentos de grupos sociais diferentes, como os proprietários, os não proprietários e os comerciantes.

Com esses fatores, a sociedade grega vai se expandindo geograficamente, buscando outras áreas para sua sobrevivência. O que vai culminar com o Período Arcaico.



Fontes:
1 - Introdução à Filosofia Antiga. Braga, Junior. Lopes, Luis Fernando. Curitiba: Intersaberes, 2015.
2 - Estética e Filosofia da Arte. Noyama, Samon. Curitiba: Intersaberes, 2016.
3 - História geral e do Brasil. Freitas Neto, José Alves de. Tasinafo, Célio Ricardo. São Paulo: Harbra, 2016.



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