Outro filósofo da modernidade que despertou sua atenção
para a tolerância ou a falta dela, foi o holandês Baruch de Espinosa
(1632-1677). Sentiu na própria pele, a dor da intolerância. Enfrentou
injustiças, as mais variadas e escreveu sobre o assunto.
A filósofa Marilena Chauí registra em seu livro
“Espinosa, uma filosofia da liberdade”, o seguinte pensamento do autor:
"Haverá algo mais pernicioso, repito, do que considerar
inimigos e condenar a morte homens que não praticaram outro crime ou ação
criticável senão o pensarem Iivremente, e fazer assim do cadafalso, que é o
terror dos delinquentes, um palco belíssimo em que se exibe, para vergonha do
soberano, o mais sublime exemplo de tolerância e de virtude? Porque os que
sabem que são honestos não tern, como os criminosos, medo de morrer nem
imploram clemência; na medida em que não os angustia o remorso de qualquer
feito vergonhoso, pelo contrário, o que fizeram era honesto, recusam-se a
considerar castigo o morrer por uma causa justa e tern por uma gloria o dar a
vida pela liberdade. Que exemplo poderá então ter ficado da morte de pessoas
assim, cujo ideal é incompreendido pelos fracos e moralmente impotentes, odiado
pelos revoltosos e amado pelos homens de bem? Ninguém, certamente, aí colhe
exemplo algum, a não ser para os imitar ou, pelo menos, admirar." (CHAUÍ, 2001)
Espinosa critica além da própria injustiça, o fato do
condenado ser mensurado por baixo. Ser colocado no mesmo nível dos demais
infratores, desonestos e criminosos. É irracional, ser vítima de crimes os mais
diversos, desde as perseguições até mesmo a morte, o fato de tão somente pensar
diferente e de uma maneira a não prejudicar a quem quer que seja. Tão somente
por defender a sua fé.
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