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O que foi a Confederação do Equador?


A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, republicano e separatista que eclodiu em Pernambuco em 1824. Foi a principal reação armada contra o autoritarismo de Dom Pedro I logo após a Independência do Brasil.

Mas quais foram os  motivos?  Bem, após a Independência (1822), havia a expectativa de que o Brasil fosse uma monarquia constitucional, onde o poder do Imperador fosse limitado por leis. No entanto: em 1823, Dom Pedro I fechou a Assembleia que escrevia a nova Constituição por não concordar com as limitações ao seu poder. Além disso, impôs sua própria Constituição, criando o Poder Moderador, que permitia a ele interferir em todos os outros poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Pernambuco já tinha uma tradição revolucionária (como a Revolução de 1817) e a tensão aumentou quando o Imperador nomeou um presidente de província que os pernambucanos não aceitavam. Em 2 de julho de 1824, sob a liderança de Manuel de Carvalho Pais de Andrade e o apoio intelectual de Frei Caneca, a República foi proclamada no Recife. 

O nome Confederação do Equador foi escolhido porque os líderes pretendiam reunir as províncias do norte e nordeste do Brasil, que ficam próximas à linha do Equador, em um estado único e independente. Conseguiram o apoio de Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Diferente da Monarquia centralizada no Rio de Janeiro, a Confederação propunha o Sistema Republicano, consequentemente o fim da monarquia. O Federalismo com grande autonomia para as províncias (cada uma se governaria, unidas apenas por interesses comuns). A Liberdade de Imprensa era um dos pontos mais defendidos por Frei Caneca. Embora houvesse divergências internas sobre a abolição da escravidão, o fim do tráfico era uma pauta de parte dos líderes para ganhar apoio internacional.

Dom Pedro I reagiu com força total. Como o exército brasileiro ainda era desorganizado, o Imperador pegou empréstimos com a Inglaterra para contratar mercenários estrangeiros (como o lorde britânico Thomas Cochrane). As tropas imperiais atacaram o Recife por terra e por mar. Os revolucionários resistiram, mas o movimento foi fragmentado e derrotado em poucos meses. O governo imperial foi implacável. Diversos líderes foram condenados à morte, sendo o fuzilamento de Frei Caneca o caso mais emblemático.

A violenta repressão e o endividamento para contratar mercenários abalaram seriamente a popularidade de Dom Pedro I, sendo um dos fatores que o levariam a abdicar do trono alguns anos depois, em 1831.

Frei Caneca (Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca) foi fuzilado em 13 de janeiro de 1825, no Recife, por ter sido um dos principais líderes intelectuais e políticos da revolução. Sua execução não foi apenas uma punição comum, mas um evento carregado de simbolismo e drama histórico. O religioso era um fervoroso defensor do federalismo e da autonomia das províncias. Após a derrota do movimento pelas forças imperiais (com o auxílio de mercenários ingleses), Frei Caneca fugiu para o Ceará, mas foi capturado e trazido de volta ao Recife. Ele foi condenado à morte por crime de rebelião e traição à Coroa. Aqui reside o ponto mais famoso da história. A sentença original de Frei Caneca era a morte por enforcamento, considerada uma morte "infame" e humilhante na época. No entanto, a execução não pôde ser cumprida conforme a sentença original por um motivo extraordinário:

Três carrascos diferentes se recusaram a subir no patíbulo para enforcar o frei. Eles o viam como um homem santo ou um herói do povo, e nenhum deles aceitou colocar a corda em seu pescoço, mesmo sob ameaça de punição. Diante da impossibilidade de realizar o enforcamento e da pressão do governo para que a execução ocorresse de qualquer maneira, a comissão militar decidiu comutar a pena para fuzilamento.

O fuzilamento ocorreu junto ao muro do Forte das Cinco Pontas, no Recife. Relatos da época dizem que Frei Caneca enfrentou a morte com extrema dignidade, recusando-se a ser vendado, embora tenha sido amarrado a uma das estacas. Ele não lutava apenas com armas, mas com as palavras, fundou e escreveu o jornal Typhis Pernambucano, onde usava sua erudição para criticar o absolutismo e explicar conceitos de filosofia política para a população.



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