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Zuza Homem de Mello é eleito para a Academia Paulista de Letras

Se você se deparar com um cidadão simpático, concentrado, caminhando pela Avenida Rebouças, em direção à Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, com fones de ouvido, pode ter a certeza de que é Zuza Homem de Mello. Como bom paulistano, ele anda rápido e, o mais interessante, no ritmo de um bom samba, jazz, rock… Aos 84 anos, em plena forma e criatividade, Zuza é o novo integrante da Academia Paulista de Letras (APL). Foi eleito para assumir, no dia 23 de agosto, a cadeira 17, que pertenceu ao professor Massaud Moisés, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que morreu no último dia 11 de abril.
A trajetória de Zuza como escritor, radialista, produtor de programas para rádio e televisão, historiador e pesquisador da música popular brasileira é reverenciada pela Academia Paulista de Letras, fundada há 108 anos. “Fico muito honrado por ter o reconhecimento da Academia, que reúne nomes consagrados da cultura brasileira”, diz o escritor. “E estar em companhia de amigos que respeito e admiro muito. Contente especialmente porque vejo a indicação como uma oportunidade para os que escrevem, pesquisam e se dedicam à divulgação da música brasileira.”
Zuza se orgulha por estar na companhia de músicos como os maestros João Carlos Martins e Júlio Medaglia, citados e lembrados em seus programas, além de grandes poetas, escritores e humanistas.
A Academia Paulista de Letras reúne nomes que disseminam a cultura e as diversas áreas da ciência, entre eles professores e ex-estudantes da USP, como Miguel Reale Júnior, Célio Debes, Eros Grau, José Gregori, Celso Lafer, Synesio Sampaio Goes Filho, Lygia Fagundes Telles, Yves Gandra da Silva Martins, Antonio Penteado Mendonça, Tércio Sampaio Ferraz Júnior, da Faculdade de Direito, Raul Marino Júnior, Raul Cutait, da Faculdade de Medicina, Benedito Lima de Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Paulo Nogueira Neto, do Instituto de Biociências, Jorge Caldeira, da FFLCH, Renata Pallotini, da Escola de Comunicações e Artes; e José Pastore, da Faculdade de Economia e Administração (FEA).
Diante desses e outros integrantes, Zuza ressalta: “A Academia, ao contrário de que alguns acreditam, não é um circuito fechado”. Zuza afirma que está feliz por fazer parte desse mundo de ideias e idealistas.
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A preparação do programa vem de uma seleção de tudo que eu ouço e já ouvi nas últimas seis décadas.
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O dia de Zuza Homem de Mello começa às 6 horas, com ouvidos atentos para as boas músicas de todos os gêneros e tempos. Fica alguns minutos no computador. E, na caminhada diária de dois quilômetros, aproveita para organizar o programa Playlist do Zuza, que vai ao ar todas as sextas-feiras, às 17 horas, com reapresentação aos sábados, às 10 horas, pela Rádio USP (93,7 FM em São Paulo e 107,9 em Ribeirão Preto). O programa, feito em parceria com o Instituto Moreira Salles, também vai ao ar pela Rádio Batuta, daquele instituto, através do site http://radiobatuta.com.br.
“A preparação do programa vem de uma seleção de tudo que ouço e já ouvi nas últimas seis décadas”, conta Zuza. “O diferencial do Playlist é também a diversidade da música popular brasileira e a surpresa de intercalar um samba canção, uma bossa nova com um rock.” A música contemporânea internacional também está presente. “Esse programa é um zigue-zague”, define. “Tem todos os ritmos. Pode ter uma valsa, um reggae, um samba da pesada ou uma música instrumental de solo de piano.”
Zuza Homem de Mello nos estúdios da Rádio USP, onde apresenta programa semanal de música – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
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Um zigue-zague que todos apreciam. A seleção do Playlist do Zuza tem também a participação dos ouvintes, que enviam CDs e pedem músicas. E todas são comentadas com a pesquisa, o talento, a irreverência e o conhecimento de Zuza Homem de Mello.
O apresentador tem uma história de muitos caminhos pela música, arte e cultura, não só do Brasil como de outros países. Sua carreira como jornalista começou em 1956, trabalhando como crítico e colunista de jornais e revistas. Também foi contrabaixista. Em 1957, frequentou a School of Jazz, em Tanglewood, nos Estados Unidos, tendo aulas com músicos como Ray Brown. Na sua volta ao Brasil, no início da década de 1960, produziu, por dez anos, programas para a tevê Record. Nos anos 1980, dirigiu os Festivais de Verão do Guarujá e foi convidado para festivais internacionais nos Estados Unidos e na Europa.
Apesar de muito trabalho, Zuza escreveu vários livros que exigiram a reflexão e a pesquisa do historiador. “Lancei o meu primeiro livro em 1976, Música Popular Brasileira Cantada e Contada.” Entre as diversas publicações estão A Era dos Festivais (Editora 34, 2003), Música nas Veias – Memórias e Ensaios (Editora 34, 2007), Eis Aqui os Bossa Nova (Editora Martins Fontes, 2008), Música com Z(Editora 34, 2014) e o mais recente Copacabana: A Trajetória do Samba-Canção (Editora 34 e Edições Sesc, 2017). No horizonte, e para os próximos meses, há muitos projetos que, como sempre, irão ao ar em programas da Rádio USP ou serão impressos em novos livros. Projetos com a participação de sua esposa Ercília, “seu braço direito e esquerdo”, como ele faz questão de ressaltar.

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