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Baixo consumo energético põe jogadoras de futebol em risco, aponta estudo


Foto: Pixabay


Nutrição insuficiente pode prejudicar o desempenho das atletas em campo e levar a consequências de saúde mais graves

Novo artigo liderado pela pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Maysa de Sousa, junto à equipe composta por outros 7 autores profissionais do ramo científico esportivo das universidades de Copenhague e Odense, na Dinamarca, traz uma revisão atualizada do conhecimento científico sobre a nutrição de jogadoras profissionais de futebol, especialmente sobre o consumo energético. O trabalho foi publicado em dezembro de 2021 pelo Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sport, e deve integrar uma edição especial da revista científica sobre futebol feminino de elite.

Além de identificar práticas recorrentes que podem prejudicar o desempenho das atletas nas partidas e até mesmo aumentar o risco de agravos à saúde, o artigo traz recomendações nutricionais relevantes para jogadoras de elite, nutricionistas, e cientistas esportivos.

“O futebol é um esporte predominantemente aeróbio e de natureza intermitente, intercalando períodos de alta e baixa intensidade”, diz a pesquisadora Maysa de Sousa, primeira autora do artigo e cientista do Laboratório de Carboidratos e Radioimunoensaios (LIM-18) do Hospital das Clínicas da FMUSP. 

Ela explica que a demanda energética durante o treino das jogadoras é alta, sendo ainda maior durante os jogos, que podem chegar a exigir cerca de 10 quilômetros de distância percorrida, com várias corridas de alta intensidade (sprints) e períodos de aceleração e desaceleração. “É, portanto, superior em termos de gasto calórico quando comparado a outros esportes como vôlei, ginástica olímpica, natação e corridas de curta e média distância”, diz Maysa. 

O alto número de treinos e partidas disputadas durante uma longa temporada competitiva e o tempo de recuperação limitado entre elas demandam estratégias nutricionais específicas para as atletas. A fim de maximizar seu desempenho esportivo, além de manter a saúde em dia, elas precisam de uma ingestão energética ideal. 

No entanto, ao realizar uma revisão da literatura científica sobre o tema, o artigo concluiu que uma proporção significativa de jogadoras de futebol de elite se alimenta de forma insuficiente para igualar seu gasto energético. Isso resulta em baixa disponibilidade de energia, o que pode prejudicar o desempenho em campo e até mesmo desencadear consequências fisiológicas mais graves.

“A deficiência energética compromete consideravelmente a ingestão adequada de todos os nutrientes, trazendo consequências negativas, como fadiga crônica, aumento do risco de infecções e algumas outras complicações nos sistemas cardiovascular, digestivo, endócrino, reprodutivo, esquelético e nervoso central, além de impactar negativamente a massa óssea, a massa muscular e a saúde geral”, diz a pesquisadora Maysa de Sousa. 

Revertendo o quadro

Cuidados com a alimentação são preponderantes para evitar desequilíbrio ou disfunções que resultem em falta de energia e problemas de saúde. No caso do futebol feminino profissional, as estratégias de nutrição também devem apoiar os objetivos de treinamento e competição.

Segundo o artigo, carboidratos são o combustível primário das atletas, contribuindo com cerca de 60% a 70% do suprimento total de energia durante as partidas. “Pensando em uma atleta de 62 quilos, por exemplo, a ingestão aproximada é de 370 gramas de carboidratos por dia, correspondendo a 1500 quilocalorias oriundas somente de carboidratos”, diz a pesquisadora Maysa de Sousa. Ela ainda explica que a adequação da ingestão calórica diminui o risco de hipovitaminoses e deficiência de micronutrientes como cálcio e ferro, por exemplo. 

Outras estratégias devem incluir a ingestão de macro e micronutrientes importantes para a otimização do desempenho e para o estado geral de saúde das jogadoras, adequação da dieta para os períodos de treino e repouso, ajuste na ingestão de água e fluídos contendo eletrólitos e até mesmo o uso de suplementos nutricionais, que podem prover uma “pequena melhora no desempenho nos treinamento e nos jogos."

Ainda de acordo com a pesquisadora, planos nutricionais mais individualizados, que levam em conta as características físicas e as exigências esportivas específicas de cada atleta do time, podem beneficiar bastante as equipes. “Vejo como fundamentais para adequar a nutrição nas diferentes fases de treinamento e nos jogos, além de otimizar a recuperação, prevenir carências nutricionais e evitar consequências negativas à saúde.”

O artigo está disponível para acesso gratuito em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/sms.14102

Fonte: Assessoria de Comunicação da FMUSP

https://www.fm.usp.br/fmusp/noticias/baixo-consumo-energetico-poe-jogadoras-de-futebol-em-risco-aponta-estudo

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