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Deus está todo em toda parte - Agostinho de Hipona

Agostinho de Hipona (Aurelius Augustinus - 354-430 D.C.), sacerdote e filósofo cristão do século IV, escreve no seu Livro "Confissões":

"Encerram-Vos, portanto, o céu e a terra porque os encheis?
Ou, enchendo-os, resta ainda alguma parte de Vós, já que eles Vos não contém?
E, ocupado o céu e a terra, para onde estendereis o que resta de Vós?
Ou não tendes necessidade de ser contido em alguma coisa, Vós que abrangeis tudo, visto que as coisas que encheis as ocupais, contendo-as?
Não são, pois, os vasos cheios de Vós que Vos tornam estável, porque, ainda que se quebrem, não Vos derramais.
E quando Vos derramais sobre nós, não jazeis por terra, mas levantai-nos, nem Vos dispersais, mas recolheis-nos.

Vós, porém, que tudo encheis, não ocupais todas as coisas com toda a vossa grandeza?
E, já que não podem conter-vos todas as criaturas, encerram elas parte de Vós e contém simultaneamente a mesma parte?
Ou cada parte contém a sua, as maiores, as partes maiores, as menores, as partes menores?
Há então uma parte maior e outra menor de Vós - ou estais inteiro? em toda a parte e nenhuma coisa Vos contém totalmente?"¹

As arguições filosóficas de Agostinho nos levam à reflexões profundas e necessárias para aquele(a) que deseja conhecer mais sobre Deus. Mesmo aqueles que não aceitam a ideia de um Ser superior. Criador de todas as coisas e tudo o que existe.

Vianna de Carvalho através da psicografia de Divaldo Pereira Franco esclarece:

"Em nível algum da Criação encontra-se ausente a Divina Inteligência que tudo permeia e vitaliza, encaminhando à harmonia vibratória mesmo as partículas infinitesimais que constituem o Universo."²

Em sua obra "A Gênese", Allan Kardec também dedica sua atenção no capítulo 2º, destinado a estudar sobre Deus,  uma passagem denominada como "A Providência".

"A providência é a solicitude de Deus pelas suas criaturas. Deus está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às menores coisas: é nisto que consiste sua ação providencial".

"Como é que Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, pode imiscuir-se em detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores pensamentos de cada indivíduo? Essa é a pergunta que a si mesmo faz o incrédulo, de onde ele conclui que ao admitir a existência de Deus, sua ação não deve estender-se senão à leis gerais do universo; que o universo funciona por toda a eternidade em virtude destas leis às quais cada criatura está submetida em sua esfera de atividade, sem que seja necessário o incessante concurso da Providência³.

"Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos; este fluido, sendo não-inteligente, age mecanicamente, seguindo unicamente as leis materiais; mas se supusermos que este fluido seja dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, agirá, não mais cegamente, mas com discernimento, com vontade e liberdade; ele verá, ouvirá e sentirá"³.

O filósofo Pietro Ubaldi nos aponta a seguinte conclusão:

"O homem evangélico vive desarmado em meio a indivíduos armados até os dentes, e deve desinteressar-se da própria pessoa, embora no meio da mais feroz avidez. Então, que forças vitais o defendem e impedem a destruição de seu produto mais perfeito? Respondemos: a Divina Providência. Trata-se na verdade do imponderável que, por isso, escapa à sensibilidade grosseira do involuído. É uma força real, inteligente, que funciona segundo lei própria,  fenômeno sempre pronto a verificar-se, desde que se apresentem reunidos os elementos determinantes. E também isso é lógico. O fenômeno, sem dúvida alguma, existe, é susceptível de experimentação e influi até mesmo no campo dos efeitos utilitários, se o mecanismo das forças resultantes é posto em ação no momento exato. Torna-se necessário, antes de mais nada, compreender a lei desse fenômeno e expor as condições necessárias para que ele se verifique. Quais são essas condições? Ei-las:

 1) Merecer a ajuda;
2) Haver, antes de mais nada, esgotado as possibilidades das suas próprias forças;
3) Estar, de acordo com suas condições, em estado de necessidade absoluta;
4) Pedir o necessário e nada mais;
5) Pedir humildemente, com submissão e fé.

Quando essas condições se realizam, a Divina Providência está em condições de funcionar a favor de todos". 4

E você?
Como imagina que a Providência Divina age?
De que forma Deus chega à você? Ou você chega à Deus?


1 - Os Pensadores - Santo Agostinho - Abril Cultural - 1999
2 - Atualidade do Pensamento Espírita - Espírito Vianna de Carvalho - Psicografia Divaldo Pereira Franco - Alvorada Editora - 1998. Pag. 151.
3 - A Gênese - Allan Kardec - Tradução Victor Tollendal Pacheco - Editora LAKE - 2001. Pag. 50.
4 - Ubaldi, Pietro. A Nova Civilização do Terceiro Milênio
http://www.pietroubaldi.org.br/mensagens-2/965-a-divina-providencia
Visitado em 23/06/17



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