Pular para o conteúdo principal

O que está havendo na Síria? Quem é a Síria? Como iniciou tudo?

Os Estados Unidos em coalizão com o Reino Unido e a França anunciaram na noite desta sexta-feira 13/04, um ataque à Síria. Pelo menos seis ataques foram realizados por mísseis americanos em locais que armazenariam armas quimícas. A acusação principal é de que o regime de Bashar Al-Assad teria utilizado armas químicas em confrontos locais com grupos que disputam o poder do país.

O governo sírio contra atacou e informou através de meios de comunicação que teriam derrubado 11 mísseis dos EUA.  Para compreender melhor essa situação toda torna-se necessária um aprofundamento na questão.

A República Árabe da Síria é um pais localizado no Oriente Médio (Ásia Ocidental). Faz fronteira com a Turquia ao norte, ao leste com o Iraque, Jordânia ao sul, a oeste o Mar Mediterrâneo e o Líbano, além de Israel a sudoeste. Com uma extensão de 185 mil quilômetros quadrados e uma população de mais de 22 milhões e meio de habitantes.

Conquistou a sua independência em 24 de outubro de 1945. O país já pertenceu ao império persa. Chegou a ser uma das conquistas de Alexandre, o Grande, no século IV A.C.. Mais adiante, passou a ser uma das províncias romanas. A nação obteve grande prestígio durante a ascensão do islamismo no século VII. O império Turco-Otomano passa a dominar o país a partir de 1516. Durante a primeira guerra mundial, os otomanos lutaram ao lado dos impérios Áustro-Hungáro e Alemão.

O Partido Baath comanda este país desde 1963, apesar de hoje a liderança ser compartilhada pelo Presidente – atualmente Bashar al-Assad, filho do antigo líder, Hafez al-Assad, que ocupou o poder de 1970 até 2000, quando morreu - e uma comunidade menor de políticos e militares despóticos¹.

O conflito na Síria começou em março de 2011 com protestos pacíficos contra o governo do presidente Bashar al-Assad e acabou se transformando em uma guerra maior, envolvendo grupos jihadistas, além de forças regionais e internacionais. Mais de 290 mil pessoas morreram neste conflito que, com a entrada da Turquia, se tornou ainda mais complexo, já que os turcos combatem tanto o grupo Estado Islâmico quanto os curdos.

A principal batalha da guerra, são os cerca de 300 mil soldados do exército sírio de Bashar al-Assad e suas forças aliadas contra diversos grupos rebeldes de dentro do país, além de jihadistas estrangeiros.

O maior grupo rebelde é o Exército da Conquista, que reúne facções islâmicas como Ahrar al-Sham e Faylaq al-Sham, além de grupos jihadistas como a Frente Fateh al-Sham, antes chamada Al-Nusra Front, quando ainda mantinha afiliação à Al-Qaeda.

Os curdos são um povo sem país que vive em partes da Síria e da Turquia, entre outros países, e estão no fogo cruzado da guerra. Os curdos da Síria vinham se mantendo longe do conflito entre governo e rebeldes, até qu Bashar al-Assad bombardeou as forças curdas em Hasakeh, cidade que era controlada conjuntamente pelos curdos e pelo regime.

Os curdos da Síria conquistaram uma região semi-autônoma no norte e nordeste do país, com a sua Unidade de Proteção Popular (YPG), e assim se tornaram um parceiro fundamental da coalizão liderada pelos Estados Unidos no combate ao grupo Estado Islâmico. Desde janeiro de 2015, o YPG conseguiu expulsar o grupo das cidade de Cobane e Manibj, na província de Aleppo, além de Tal Abyad, na província de Raqa, e grande parte da província de Hasakeh. O YPG também é parte das Forças Democráticas Sírias (SDF), que reúne diversas facções combatendo o grupo Estado Islâmico (EI).

Os jihadistas do EI consideram inimigos todos aqueles que não se aliam ao seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. Por isso combatem grupos rebeldes sírios e até mesmo outros grupos jihadistas. Os rebeldes apoiados pela Turquia participaram nesta semana da retomada da cidade fronteiriça de Jarabulus, antes dominada pelo grupo EI.

O exército sírio é reforçado por 200 mil forças irregulares, principalmente das Forças de Defesa Nacional. Também luta ao lado de cerca de 8 mil forças do Hezbollah, a poderosa milícia xiita do Líbano, além de soldados do Irã, do Iraque e do Afeganistão. A Rússia se tornou um apoiador-chave e fez ataques aéreos em apoio a Bashar al-Assad a partir de setembro de 2015, além de ajudar Damasco a recuperar diversas províncias rebeldes. O Irã é outro aliado fundamental, provendo apoio financeiro e militar.

As facções de oposição consideradas “moderadas” são apoiadas pelo Ocidente, principalmente por Estados Unidos, França e Reino Unido, mas os rebeldes reclamam do pouco suporte. Turquia, Arábia Saudita e Qatar apoiam não só a oposição ao governo, mas também outras facções islâmicas.

Os curdos da Síria são um parceiro-chave da coalização contra o grupo Estado Islâmico liderada por Washington, mas a Turquia considera o YPG um braço do Partidos dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), grupo que reúne curdos turcos e é classificado por Ancara como terrorista.

Nenhum país abertamente apoia os jihadistas da Fateh al-Sham e do grupo Estado Islâmico, mas este último obtêm dinheiro de impostos e recursos dos territórios que controla na Síria e no Iraque.

O presidente Assad diz que quer retomar o controle de todo o país e não vai desistir.

Os rebeldes querem derrubar Assad, mas discordam sobre o futuro do país. O Fateh al-Sham, por exemplo, quer um instalar um emirado islâmico.

Os curdos querem uma região autônoma nas áreas em que são maioria, o chamado Curdistão.

O Grupo Estado Islâmico quer expandir o seu autoproclamado “califado” na Síria e no Iraque.

Antes do ataque da coalizão o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou ter “provas irrefutáveis” de que o alegado ataque químico na Síria foi “uma encenação”, na qual participaram serviços especiais de um país “russófobo”.

“Temos provas irrefutáveis de que se trata de uma nova encenação e que os serviços especiais de um Estado actualmente na primeira linha de uma campanha russófoba participaram nessa encenação”, disse o ministro numa conferência de imprensa.

De acordo com informações recentes, estima-se que 15 mil médicos – quase metade do número de profissionais que havia na Síria antes do conflito – tenham fugido do país, impedindo que centenas de milhares de civis recebam os cuidados de saúde mais básicos.


Fontes:

https://www.infoescola.com/oriente-medio/siria/

https://www.terra.com.br/noticias/mundo/disturbios-no-mundo-arabe/o-que-e-a-siria-conheca-o-pais-que-esta-em-guerra-civil-ha-mais-de-2-anos,b5dc1db3520f0410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

https://www.msf.org.br/noticias/siria-instabilidade-no-sul-do-pais

https://opais.co.ao/index.php/2018/04/13/ataque-quimico-na-siria-foi-encenado-com-ajuda-de-pais-russofobo-diz-o-mne-russo/

http://br.rfi.fr/mundo/20160826-entenda-quem-sao-e-o-que-querem-os-grupos-combatendo-na-siria-0


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ANVISA aprova medicamento inédito para tratamento da doença de Alzheimer

A Anvisa aprovou o uso do lecanemabe para o tratamento da doença de Alzheimer. O produto, inédito no país, é um anticorpo monoclonal pertencente à classe dos produtos biológicos. De acordo com o registro, o novo medicamento é indicado para pacientes adultos com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve e demência leve decorrentes da doença de Alzheimer (fase inicial), com patologia amiloide confirmada e que não sejam portadores ou sejam heterozigotos do alelo ε4 da apolipoproteína E (ApoE ε4). O medicamento deve ser administrado por infusão intravenosa, durante aproximadamente uma hora, uma vez a cada duas semanas. Com o registro, o lecanemabe está autorizado para distribuição e uso no país. O prazo para sua entrada no mercado depende do laboratório detentor do registro. O seu nome comercial é "Leqembi" e depende apenas do laboratório responsável a sua chegada ao Brasil. Segundo Elton Fernandes , advogado especialista em saúde, o preço oficial do medicamento no Br...

23º Festival PREAMP divulga os seis artistas selecionados para a Mostra Musical

Também foi divulgada a lista dos participantes para as ações formativas do Palco Escola, que serão realizadas de 27 de janeiro a 6 de fevereiro. Já a Mostra Musical acontecerá nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2026, no Cais do Alfândega, no Bairro do Recife O 23º  Festival PREAMP  divulgou, nesta segunda-feira (5), as seis atrações pernambucanas selecionadas para a Mostra Musical: Os artistas  Islan,  O Cão ,  Dandara MC ,  Mestre Josivaldo Caboclo ,  Alice Counter  e  Rob Love , que também receberão mentorias voltadas para a profissionalização de suas carreiras musicais. Ao todo, 156 artistas e grupos de todas as regiões do Estado participaram da chamada pública realizada via edital, reafirmando o PREAMP como um espaço plural, representativo e aberto à diversidade cultural.  De acordo com o coordenador-geral do festival, Fábio Cavalcante, a Mostra Musical do PREAMP é pensada como uma plataforma de impulso real para artistas que estão no in...

Neurociência no mundo do futebol

  Quando falamos de sensores de neurociência no futebol (como os utilizados pelo Liverpool com a neuro11 ou pelo Santos e Palmeiras), não estamos a falar de ficção científica, mas de biofeedback em tempo real. Eis o passo a passo de como funciona uma sessão típica de treino cerebral para um jogador de elite: O jogador coloca uma touca ou sensores individuais de EEG (Eletroencefalograma). Estes sensores são não invasivos e extremamente leves para não atrapalhar o movimento. Estes medem ondas cerebrais (Alfa, Beta, Teta e Gama). O objetivo é identificar em que estado mental o jogador se encontra antes de bater uma falta ou um penálti. Cada jogador tem uma "assinatura" de sucesso. Os cientistas analisam os dados de quando o jogador acerta um remate perfeito. Descobrem, por exemplo, que um atleta atinge um pico de ondas Alfa (relaxamento alerta) frações de segundo antes do contacto com a bola. No Treino de Biofeedback (A Sessão em si), o jogador vai para o campo ou para um si...